“Não sei como foi tão fácil pra você simplesmente ir embora, ir com a maré e nunca mais voltar para mim. Até hoje não sei muito bem o que aconteceu, se nossos caminhos não eram apenas linhas que não deviam se cruzar, linhas paralelas no infinito, mas eles se cruzaram, será que é por isso que dói tanto, que dói tanto não te ter aqui, dói sentir a tua falta e não poder dizer, dói fingir não ligar quando você diz que não esta bem, e é aí que eu me pergunto se eu fiz algo errado, se eu deveria ter ligado, se eu deveria ter voltado atrás, se eu deveria ter não dito aquelas palavras, se eu deveria ter relevado tudo.. Agora meu telefone toca, e bem que poderia ser você, não?! Poderia ser você dizendo que sente minha falta, que toda vez que algo acontece você tem que fazer força para não discar o meu número, poderia também dizer que me ama, que quer recuperar o tempo perdido, que me quer do seu lado. São duas horas da manhã e eu me pego acordada lembrando de quando nos estávamos no telefone, discutindo quem desligaria primeiro, discutindo o tipo de filme mais legal e você implicando com cada palavra que eu digo, com o meu “erre” puxado, e eu falando que você não tem jeito, fazendo planos para o futuro que nunca chegou, falando o que faríamos quando nos víssemos de novo; discutindo o quão imaturo você ainda é para ir para a faculdade, falando o quanto o que nos tínhamos era importante. Sabe ainda é difícil para mim, ouvir qualquer tipo de música de amor, porque todas elas me lembram você, todas elas falam do seu sorriso, todas elas mostram o quanto eu ainda me importo. Eu volto a dezembro o tempo todo, lembrando do seu olho me observando em quanto eu estudava para as minhas provas finais, e eu olhando para você toda boba, quando você dizia que eu era linda, e quando você me dizia tchau e nos colocávamos os dedos mindinhos na frente da câmera como um “toque” ou algum tipo de promessa. E aquela vez que nos nos vimos pela primeira vez, que você arregalou os olhos e disse: “não acredito.. É você mesmo?” e eu afirmei com a cabeça, e você me pediu um abraço, e nós nos tocamos pela primeira e ultima vez, acho que ficamos abraçados por muito tempo, pois não precisávamos de mais nada, até que meu celular tocou e estavam me chamando de volta e eu tinha que ir, e quando eu virei de costas você me deu um abraço e disse: nos vemos logo, certo? E eu virei e vi o quão perto você estava de mim, e então eu finalmente disse: eu espero. E demos mais um abraço, que parecíamos saber que seria o ultimo, teu perfume ficou na minha roupa, não só nela mas dentro de mim, eu guardei seu cheiro em mim, assim como o seu coração.. ”